66ª Reunião Anual da SBPC |
Resumo aceito para apresentação na 66ª Reunião Anual da SBPC pela(o): SBPC - SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA |
D. Ciências da Saúde - 6. Nutrição - 1. Nutrição |
SEGURANÇA ALIMENTAR: AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO NUTRICIONAL E AUTOCONSUMO ENTRE EXTRATIVISTAS E AGRICULTORES DO PROJETO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL BONAL (PDS). |
Eline Messias de Oliveira - Orientadora/Curso de Nutrição - UFAC Oyatagan Levy Pimenta da Silva - Bolsista/Curso de Nutrição - UFAC Bárbara de Almeida Maffi - Bolsista/Curso de Nutrição - UFAC Ítalo Antonio Alves de Oliveira - Bolsista/Curso de Nutrição - UFAC |
INTRODUÇÃO: |
Segurança Alimentar e Nutricional vêm sendo debatida em nível nacional e mundial, com discurso de diversas propostas de políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento de cada país, elencando tentativas de minimizar a miséria e os males da fome, que afetam as condições sociais e em seguida contribuem para deficiências nutricionais graves. A existência de um estado de insegurança alimentar no mundo de hoje apresenta-se como incompreensível, pois a produção total de alimentos já excede ao que seria necessário para alimentar toda a população mundial. Contudo, não há o acesso de todas as pessoas aos alimentos. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura estima que haja atualmente mais de 900 milhões de pessoas com falta ou insuficiência de alimentos no mundo. No Brasil, 72 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar devido à falta constante ou temporária de alimentos. Atualmente está ocorrendo uma retomada de estudos e pesquisas em torno do tema da produção para autoconsumo mais complementada com os questionamentos sobre Segurança Alimentar e Nutricional. Autores clássicos nos estudos rurais, como Herédia e Cândido, destacavam a importância desta prática na organização produtiva e econômica dos camponeses. |
OBJETIVO DO TRABALHO: |
Esta pesquisa parte da avaliação da situação nutricional e autoconsumo entre famílias de extrativistas e agricultores, residentes do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Bonal, com o objetivo de realizar uma análise dos indicadores de Segurança Alimentar, Nutricional e autoconsumo. |
MÉTODOS: |
Para realização da pesquisa foi utilizada a mesma metodologia desenvolvida pelo projeto de pesquisa Análise Econômica de Sistemas Básicos de Produção Familiar no Vale do Acre, denominado ASPF, desenvolvida desde 1996. O Perfil nutricional foi avaliado através das medidas antropométricas como peso e altura em adolescentes e adultos. Utilizando como referência os parâmetros de Índice de Massa Corporal. Para avaliação das crianças foi realizado a pesagem, aferição da altura ou comprimento utilizando os parâmetros avaliativos do percentil para os indicadores correspondente à idade. A avaliação do consumo alimentar foi analisada através da frequência alimentar os dados foram coletados a partir de questionário estruturado com 40 perguntas com variáveis sobre aspectos socioeconômicos e demográficos, saúde e consumo alimentar. O Relatório de Frequência Alimentar era compostos por alimentos com predominância regionais e mais consumidos pela população acreana. Na frequência alimentar estavam elencados 25, para quantificar a frequência foram questionados quantas vezes ocorria o consumo por dia, semana, mês, ou ano. Foram avaliadas 21 famílias, totalizando 108 pessoas entre maio de 2012 e janeiro de 2013. |
RESULTADOS E DISCUSSÃO: |
Verificou-se um maior índice de pessoas adultas entre 18,1 a 60 anos, pessoas com mais de 60 anos não foram identificadas. Dentre os gêneros a predominância maior de do feminino de 55%. Ao realizar as aplicações dos questionários foram identificadas pessoas em situação de miséria principalmente quando se trata dos povos da floresta. O consumo e os hábitos alimentares entre os extrativistas e agricultores não diferem. Das 21 famílias avaliadas 17% consomem farinha e 100% arroz todos os dias. O macarrão teve apresentação reduzida devido algumas famílias terem o hábito de alternar com o consumo de farinha de mandioca. O consumo da bolacha e biscoito apresenta-se elevado devido à dificuldade da compra de pão nessas localidades. O consumo das leguminosas como feijão apresenta-se em 16% dos alimentos mais consumidos entre o grupo de alimentos analisados. O consumo de frutas é maior do que o consumo do suco das frutas devido à facilidade de encontrar em algumas árvores frutíferas dependendo da sazonalidade. De acordo com a pesquisa 90% relatam consumir café ao dia e que é um hábito da família. O consumo mensal e semanal de carnes apresentou-se em 48% das famílias, quanto a ingestão deveria ser de 1 a 2 porções por dia, segundo a recomendação do Ministério da Saúde. Na análise do desenvolvimento nutricional em relação ao peso para idade, 100% das crianças de 0 a 2 anos estão com o peso adequado. Entre as crianças 2,1 a 5 anos avaliadas 39% apresentaram desnutrição. As crianças com 5,1 a 10 anos, 38% apresentaram desnutrição leve e 61% com o peso adequado para a idade. Pode-se verificar ausência de crianças com desnutrição grave e com obesidade. Adolescentes com idade entre 10 a 18 anos, 52% apresentaram peso adequado para a estatura. Dos homens 57% apresentaram estado nutricional eutrófico, com 57%. As mulheres adultas apresentaram um estado nutricional de 44% de pré-obesidade e 17% com início de obesidade classe I. |
CONCLUSÕES: |
Promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes são prioridades que constam nas Políticas Públicas Brasileiras. Quando avaliado as condições de vida das famílias do objeto de estudo, é possível verificar que as mesmas estão distantes da realidade. A Segurança Alimentar e Nutricional entre Extrativistas e Agricultores, vem com intuito de alertar e ampliar as discussões sobre a necessidade de universalizar as condições de acesso à alimentos e a necessidade de ser investir no autoconsumo. Não ocorrendo uma melhora no hábito alimentar da população residente do PDS Bonal, o risco de elencar o número de pessoas portadoras de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que necessitam de um maior cuidado terapêutico e medicamentoso, será crescente. A soberania alimentar como um direito de todos, fica difícil de ser alcançada quando condições básicas para uma vida saudável não são prioridades. |
Palavras-chave: Segurança Alimentar, Autoconsumo, Nutrição. |