64ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 10. Educação Rural
SABERES POPULARES DE AGRICULTORES AMAZÔNIDAS: MODO DE INTERPRETAR E FAZER AGRICULTURA NA COMUNIDADE DE TAMATATEUA-PARÁ
Elmecelli Moraes de Castro 1
Hérika Maria Vasconcelos de Sousa 2
Francisco Diogo Lopes Filho 2
Geovane Rodrigues Cabral 2
Tatiana Coutinho 2
José de Moraes Sousa 2
1. Programa de Pós Graduação em Biologia Ambiental - UFPA
2. Centro Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico - UFPA
INTRODUÇÃO:
Ao refletirmos sobre o status que a ciência moderna alcançou em nossas sociedades, percebemos que há uma desvalorização dos conhecimentos que foram produzidos em épocas antecedentes a modernidade. Mas a ciência moderna pode ser considerada como algo recente em relação à trajetória histórica da humanidade, e a história testemunham a favor de grandes investidas e conquistas em termos de conhecimentos mesmo antes da referida ciência (Chassot, 2003).
Os saberes populares são aqueles associados às práticas cotidianas das classes desprovidas de capital econômico, enquanto o senso comum abrange saberes que se difundem por todo tecido social (Lopes, 1998).
Considerando a importância do conhecimento popular e sua presença na agricultura, o presente estudo tem como foco saberes populares de agricultores da comunidade de Tamatateua no município de Bragança-PA. Nessa perspectiva, o trabalho teve como objetivo analisar saberes de agricultores da comunidade de Tamatateua município de Bragança – PA, que foram desenvolvidos com o desempenho de suas atividades agrícolas.
METODOLOGIA:
Esta pesquisa foi desenvolvida entre os meses de março e abril de 2011, em uma abordagem qualitativa (Chizzotti, 2001). E como técnicas de pesquisa utilizamos: estudos Bibliográficos que nos deram respaldos para todo o percurso da construção deste trabalho, tanto no que se refere à fundamentação inicial antes das atividades de campo, como nos momentos posteriores como análises e resultados, e também a entrevista semi-estruturada que nos possibilitou maior contato com os sujeitos de forma mais espontânea, o que ao nosso ver possibilitou uma melhor fluência por parte dos sujeitos em termos das informações necessárias.
Foram entrevistados um total de 09 agricultores que atualmente encontram-se cultivando a mandioca em consorcio com o caupi na comunidade de Tamatateua. As entrevistas foram realizadas seguindo um roteiro padrão do tipo semi-estruturado com a finalidade de possibilitar ao entrevistado, discorrer sobre o tema proposto.
As abordagens foram feitas pelo método “Bola de neve“ (snow-ball) (Bailey, 1982). Onde pessoas da própria comunidade indicavam os agricultores mais antigos. As entrevistas foram sincrônicas, cada entrevista durou cerca de 20 a 30 minutos e foram documentadas através de gravações.
RESULTADOS:
Os agricultores de Tamatateua cultivam mandioca em consorcio com o caupi, adotando-se seguintes recomendações para o caupi: 3 sementes por cova, e espaçamento entre covas de 60 cm.
Segundo a Embrapa Meio Norte para o cultivo de caupi o espaçamento recomendado é de 0,80 a 1,00 m entre linhas em variedades de porte ramador, e de 0,60 m para as variedades de porte moita.
Para o cultivo da mandioca os agricultores utilizam o espaçamento de 1m ou em palmos assim como no caupi, e o tamanho da maniva ou estaca, e de aproximadamente 20 cm.
Segundo dados da Embrapa Mandioca e Fruticultura para o plantio consorciado de mandioca com caupi, o feijão é plantado intercalado às fileiras de mandioca. Em geral, planta-se o feijão no mês de maio, variando o espaçamento de 0,50m x 0,50m a 0,50m x 0,30 m, com três sementes por cova. Duas semanas após o plantio do feijão, entra a mandioca, em consorcio, no espaçamento de 1,00m a 1,00m.
O plantio da mandioca no estado do Pará pode ocorrer em dois períodos climáticos distintos: no final do mês de dezembro ou início de janeiro, conhecido como “plantio de inverno”; e o “plantio de verão” no final dos meses de maio e junho ( Embrapa, 2003). Os agricultores de Tamatateua mesmo sem esse conhecimento seguem essas normas.
CONCLUSÃO:
A pesquisa mostra que agricultores mesmo sem ter conhecimentos e técnicas científicas desenvolvem suas atividades por meio dos saberes que adquiriram com suas experiências cotidianas ou que aprenderam de seus pais. Esses saberes apesar de terem sidos produzidos diferentemente dos conhecimentos não se distanciam das respostas providas pela ciência. O que no presente estudo deu para ser feito uma equiparação entre saberes populares e conhecimentos científicos vistos na dimensão dos saberes em termos de propocionalidade, metria e espacialidade.
Admitir que os agricultores tenham conhecimentos que lhes auxiliam em suas empreitadas mesmo sem terem os conhecimentos científicos, não significa dizer que estes não devem ter acesso a educação formal. O que se advoga é que estes, mesmo tendo suas concepções de mundo, seus saberes, que devem respeitados, e considerados, também como cidadãos devem usufruir não somente dos espaços escolares, mas também dos conhecimentos técnicos científicos, como meios auxiliares de seus próprios saberes
Palavras-chave: Saberes populares, Agricultores, Práticas agrícolas.