64ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 6. Ciência Política - 4. Políticas Públicas
ÊXODO RURAL E JUVENTUDE CAMPONESA: reflexões acerca da migração de jovens da comunidade de Ludovico, Lago do Junco/MA.
Arissâmia Silva Maia 1
Atemir Pereira Rodrigues 1
Dorenilde Pereira Sousa 1
Edileusa Ferreira Leite 1
José de Ribamar Sousa Vieira 1
Sergio Costa Silva 1
1. Departamento de Educação-UFMA
2. Departamento de Educação-UFMA
3. Departamento de Educação-UFMA
4. Departamento de Educação-UFMA
5. Departamento de Educação-UFMA
6. Departamento de Educação-UFMA
INTRODUÇÃO:
Este trabalho visa analisar elementos estruturais característicos do êxodo da juventude camponesa da comunidade Ludovico, município de Lago do Junco/MA, visando compreender seu contexto social e econômico. Os jovens se dirigem a outras regiões do país para trabalhar nas mais diversas atividades, especialmente no agronegócio, na busca por melhores condições de vida. Porém, as condições encontradas nas regiões de destino acabam por levá-los a uma segregação social, levando-os a perderem suas perspectivas de vida nesses locais. A relevância social da pesquisa é identificar um problema constante na comunidade de Ludovico. Outrossim, ressalta-se a importância dessa pesquisa, pois busca identificar o perfil da situação periférica em que a juventude camponesa está inserida, bem como suscitar o debate acerca dos problemas que envolvem essa juventude, para assim, propor ações de luta por direitos e efetivação de políticas públicas.
METODOLOGIA:
Pretende-se problematizar a partir do campo do materialismo histórico e dialético, expressando a contradição histórica, social e econômica produzida no contexto do antagonismo criado no desenvolvimento do modo de produção, especialmente, no dualismo entre a agricultura familiar e o agronegócio. Ajuda a compreender a situação concreta vivenciada pela juventude, além de contribuir para a afirmação do exercício da práxis. A pesquisa foi realizada no ano de 2011, tendo como referencial teórico as obras de Oliveira (2007), Fernandes (2002), Orso (2008), Castro (2008), Carneiro et. All. (2007), que tratam de temas referentes a questão agrária, brasileira e maranhense, bem como de migração e estrutura social, ajudando a compreender os processos específicos da região estudada. Participaram da pesquisa jovens agricultores, entre 18 e 30 anos de idade e lideranças da comunidade de Ludovico, com aplicação de entrevistas semi-estruturadas.
RESULTADOS:
Identificou-se que muitos fatores contribuem para migração da juventude camponesa, ressaltamos a falta de políticas públicas voltadas para esses sujeitos. Fatores de ordem objetiva, como a falta de técnicas adequadas possibilitando melhores condições de produção, ou oportunidades de trabalho, além de elementos de ordem subjetiva, como educação descontextualizada ou a falta de condições que garantam lazer e cultura são importantes para compreender esse processo. Esse panorama faz com que não se garantam condições sócio-econômicas na região para a permanência dos jovens. Dessa forma, esses sujeitos buscam essa demanda social em outras localidades. Com base na pesquisa realizada na Comunidade Ludovico em 2011, constatou-se que a falta de políticas públicas voltadas para garantir a permanência do jovem no campo contribuem para a migração dos mesmos e que os padrões consumistas do meio urbano também influenciam para a saída da juventude. Considera-se que há necessidade de trabalhar o empoderamento dos jovens a fim de que eles possam buscar melhores condições de vida no meio em que estejam inseridos, não necessitando, assim, migrarem para outras regiões.
CONCLUSÃO:
Conhecer a realidade contida na comunidade de Ludovico pretendendo se buscar alternativas para a permanência da juventude no campo. Nesse sentido, a pesquisa possui sua importância no fato de compreender a realidade dos jovens e quais os motivos que levam a saída destes do seu espaço de origem. Outro aspecto, é que se torna evidente que os jovens do campo não têm perspectiva de permanência digna nas suas comunidades de origem o que os leva a migrarem para outras regiões. Então, abrem-se o debate para se pensar políticas públicas que garantam a permanência do jovem no campo. Convém salientar que a saída da região de origem não é garantia de uma melhor condição de vida. Outrossim, precisa-se refletir sobre modelos sociais e produtivos que supram as necessidades dos jovens nas suas comunidades, bem como a garantia da qualidade de vida para estes, criando na juventude um sentimento de pertencimento e de identidade com o campo.
Palavras-chave: Êxodo rural, Juventude Camponesa, Lago do Junco/MA.