64ª Reunião Anual da SBPC
E. Ciências Agrárias - 5. Medicina Veterinária - 5. Reprodução Animal
CONTROLE DO MOMENTO DO PARTO EM SUÍNOS UTILIZANDO PROSTAGLANDINA E DISPOSITIVOS INTRAVAGINAIS IMPREGNADOS COM PROGESTÁGENOS
Gabriel Fernando Freling 1
Bernardo Garziera Gasperin 1
João Francisco Coelho de Oliveira 1
Paulo Bayard Dias Gonçalves 2
Rogério Ferreira 3
Vilceu Bordignon 4
1. Depto. de Clínica de Grandes Animais, UFSM – BioRep
2. Prof. Dr./Orientador. Depto. de Clínica de Grandes Animais, UFSM - BioRep
3. Centro de Educação Superior do Oeste – UDESC, Chapecó/SC
4. Department of Animal Science, McGill University, Ste-Anne-De-Bellevue, Canada
INTRODUÇÃO:
A supervisão de parto em suínos é fundamental para evitar a mortalidade de leitões, prevenindo mortes por esmagamento, fome ou hipotermia. Atualmente, o controle e antecipação do momento do parto é realizado através da utilização de prostaglandinas. No entanto, a manutenção dos níveis de progesterona plasmática representa uma alternativa para prolongar a gestação. Combinadas, estas duas abordagens poderiam concentrar ainda mais o parto para que não ocorra aos finais de semana, facilitando a supervisão da maternidade e transferência de leitões entre as leitegadas. Dispositivos intravaginais (DIVs) contendo progestágenos têm sido amplamente utilizados para a indução do estro e sincronização em ruminantes. No entanto, a via intravaginal para administração de progestágenos em suínos até agora não foi estudada adequadamente. Portanto, os objetivos deste estudo foram: a) avaliar se DIVs são adequados para atrasar e controlar a sincronia de ocorrência dos partos; b) analisar a eficiência de acetato de medroxiprogesterona (MAP) em retardar o parto porcas, e c) determinar o efeito da prevenção do parto aos finais de semana sobre a viabilidade dos leitões.
METODOLOGIA:
No primeiro experimento, para avaliar a eficiência dos DIVs na manutenção da gestação em suínos, 75 fêmeas tiveram o parto induzido através da administração de prostaglandina F2α (PGF2α; 250µg), aplicada no dia 112 de gestação, juntamente com a colocação de DIVs com 4 diferentes concentrações de MAP (100, 200, 400 ou 800mg; n=15/grupo) sendo os mesmos removidos 48h após. Nas fêmeas do grupo controle apenas PGF2α foi administrada (n=15). Para avaliar o efeito da prevenção do parto sobre a viabilidade dos leitões, nas quintas-feiras pela manhã as fêmeas com tempo de gestação igual ou superior a 113 dias foram induzidas com PGF2α para iniciarem o parto 20 a 30h após (grupo induzido; n=57). Fêmeas entre os dias 109 e 112 de gestação receberam DIVs contendo 800mg de MAP por 72h (grupo MAP800; n=56). Aos domingos os dispositivos foram retirados e PGF2α foi injetada nas fêmeas. Fêmeas que pariram espontaneamente (sem receber qualquer tipo de tratamento) foram utilizadas como grupo controle (n=57). Os dados foram avaliados quanto à normalidade através do teste Shapiro-Wilk, normalizados quando necessário, e comparados através de análise variância (ANOVA) utilizando-se o software JMP (SAS Institute Inc., Cary, NC).
RESULTADOS:
O primeiro experimento demonstrou que DIVs contendo MAP mantem a gestação em porcas, atrasando a ocorrência do parto após indução com PGF2α. Entretanto, apenas DIVs contendo 800mg de MAP foram 100% eficazes na prevenção do parto. O tempo entre a administração de PGF2α e o parto foi significativamente maior nos animais que receberam DIVs (72.1±8.8h, 72.7±3.8h, 82.7±7.1h e 81.8±3.5h para os grupos 100, 200, 400, e 800mg, respectivamente) em comparação aos animais do grupo controle (27.7±1.6h). Apesar da gestação das fêmeas tratadas com MAP ter sido significativamente mais longa em comparação ao grupo controle, a duração do parto, o peso médio dos leitões ao nascer e a porcentagem de leitões vivos não foram afetados.
Os DIVs também foram eficientes para evitar partos aos finais de semana. Nenhuma das fêmeas submetidas ao protocolo iniciou o parto antes da retirada do DIV. Os partos iniciaram nas segundas-feiras, sendo que 62.5% ocorreram entre 22 e 48h, 23.2% entre 48 e 72h e 14.3% após 72h em relação ao momento da retirada dos DIVs. A viabilidade dos leitões não foi afetada, sendo que as porcentagens de leitões nascidos vivos sobre os nascidos totais foram 89.0±1.6%, 90.1±1.2% e 89.0±1.5% (P>0.05) para os grupos controle, grupo induzido e grupo MAP800, respectivamente.
CONCLUSÃO:
Dispositivos intravaginais são adequados para a suplementação exógena de progestágenos em fêmeas suínas. DIVs impregnados com acetato de medroxiprogesterona são eficientes em retardar o parto, podendo ser usados para evitar partos aos finais de semana, sem afetar negativamente a viabilidade dos leitões.
Palavras-chave: Atraso de parto, Viabilidade dos leitões, Acetato de medroxiprogesterona.