64ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 11. Ensino-Aprendizagem
O ENSINO DE BIOLOGIA ATRAVÉS DO MODELO “ANOMALIAS CROMOSSÔMICAS: UM RECURSO REVOLUCIONÁRIO”
Jéssica da Rocha de Alencar Bezerra 1
Paula Adrielle Cruz Lima 1
Jeane de Oliveira Moura 2
1. Aluna de graduação em Ciências Biológicas -IFPI
2. Profa. Ms/Orientadora-Depto de Formação de Professores de Ciências e Letras-IFPI
INTRODUÇÃO:
O ensino de Biologia representa um desafio a cada aula e tema abordado, pois os alunos têm que se submeter a um universo muito amplo de abstrações, e muitas vezes só a verbalização do conteúdo, ainda que conte com o apoio do livro didático, torna-se insuficiente para formar concepções claras a respeito do objeto em estudo. O estudo dos cariótipos humanos, das anomalias, mutações cromossômicas são temas difíceis de ensinar, pois requerem conceitos e habilidades integradas de Genética, Biologia Molecular e Biologia Celular, tais como: as implicações da não disjunção cromossômicas durante a divisão celular, as conseqüências funcionais que um cromossomo a mais ou a menos pode provocar no indivíduo e o estabelecimento das diferenças entre as anomalias cromossômicas.
Os saberes relacionados ao estudo dos cariótipos humanos são fundamentais, pois através destes conhecimentos, os alunos podem situar-se, estabelecendo um paralelo entre os conceitos relacionados ao DNA, cromossomos, e sua própria constituição genética, assim, esperam-se que os alunos possam: conhecer o número normal de cromossomos para a espécie humana(46) e compreender o significado das fórmulas cromossômicas da mulher-46,XX e do homem 46XY e saber diferenciar os cariótipos das principais anomalias cromossômicas.
METODOLOGIA:
Foram escolhidas duas turmas do 4º ano do IFPI, cujos conteúdos de Biologia correspondem aos do 3º ano do ensino médio, cada turma contém 22 alunos, as duas turmas apresentam aproveitamento escolar muito semelhante e faixa etária de 16 a 18 anos. . As duas turmas responderam a um questionário antes da aula para verificar os conhecimentos prévios e assistiram aula com os mesmos conteúdos. Uma das turmas, (tratada como turma 1), no decorrer da aula teve acesso ao recurso didático “Anomalias Cromossômicas”, que contempla as seguintes síndromes cromossômicas: Síndrome de Down, Síndrome de Klinefelter, Síndrome de Tuner, Síndrome de Patau, Síndrome de Edwards, Super-macho Super-fêmea, além de apresentar os cariótipos de Mulher Normal e Homem Normal, ao qual puderam manipular, e ter contato direto com os cariogramas, à medida que as síndromes eram mencionadas pelo professor. A outra turma (tratada como turma 2) em questão teve acesso a aula expositiva utilizando-se slides, quadro branco e pincel como recursos didáticos. Ao final da aula os alunos das duas turmas foram submetidos ao mesmo questionário para assim se avaliar a evolução da aprendizagem nas duas turmas. As quantidades de acertos dos alunos observados nos questionários foram comparadas entre si pela análise estatística.
RESULTADOS:
Seguindo-se a concepção de aprendizagem significativa de Ausubel, procurou-se relacionar os conhecimentos prévios aos novos, partindo do que o aluno já sabe para obter êxito. A primeira questão procurou investigar o conhecimento dos alunos sobre: cariótipo, cromossomos homólogos e cromátides-irmãs. A análise da questão mostrou que 50% dos alunos da turma 1 e 2 acertaram a resposta , após a intervenção 90% da turma 1 e 85% da turma 2 acertaram. A segunda questão explorava a fórmula do cariótipo de um ser humano normal, antes da intervenção 90% dos alunos da turma 1 acertaram e 100% dos alunos da turma 2 acertaram, posteriormente, 100% dos alunos das duas turmas acertaram a questão. Outra questão objetivava explorar as fórmulas cromossômicas de um homem normal, mulher normal, portador da síndrome de Turner e de Klinefelter. A turma 1 apresentou 70% de acertos, a turma 2, 50% antes da intervenção, posteriormente, os índices subiram para 100% de acertos da questão pela turma 1 e 70% de acertos pela turma 2.
A análise comparativa entre os resultados das duas turmas permitiu perceber que a turma que recebeu a intervenção utilizando-se o recurso “Anomalias Cromossômicas” teve um aproveitamento significativamente maior do que o da turma que não teve contato com o recurso.
CONCLUSÃO:
Os conhecimentos prévios dos alunos comparados com os conhecimentos novos, foram utilizados como parâmetros para perceber a importância da inovação e quebra de rotina em sala de aula, os alunos da turma 1 , que puderam ter acesso ao recurso “Anomalias Cromossômicas” tiveram um desempenho significativamente melhor do que os alunos da turma 2 , cuja aula foi predominantemente expositiva sem se utilizar de novos recursos.
No decorrer das aulas foi possível verificar dificuldades de interpretação, e conceitos errôneos, mas que servem para nortear a ação do professor, pois perceber o erro dos alunos possibilita a criação de situações que ponham conceitos e idéias inadequadas em xeque. Foi possível ao final das aulas, alcançarem os objetivos esperados, pois os alunos aprenderam a diferenciar os cariótipos humanos das síndromes cromossômicas, também conseguiram assimilar as fórmulas dos cariótipos e aprenderam a construí-las, ressaltando-se que a turma que pôde manipular o recurso didático testado através deste trabalho apresentou um melhor desempenho em relação à outra turma.
Dessa forma a utilização do recurso em questão nas aulas de Biologia foi positivamente válida, e muito passível de utilização pelos professores de Biologia do Ensino Médio.
Palavras-chave: ENSINO-APRENDIZAGEM, RECURSO "ANOMALIAS CROMOSSÔMICAS", ENSINO-MÉDIO.