64ª Reunião Anual da SBPC
F. Ciências Sociais Aplicadas - 4. Turismo e Hotelaria - 2. Planejamento e Projetos Turísticos
Lazer, Turismo e Acessibilidade: diagnóstico de roteiros acessíveis à visitação do público idoso no Centro Histórico de São Luís
DAYANE TAVARES MACHADO 1
TEREZINHA CAMPOS 1
1. ALUNA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - IFMA
2. Profa. MSc/Orientadora - Eixo Tecnológico Hospitalidade e Lazer - IFMA
INTRODUÇÃO:
Acessibilidade é garantir que todos exerçam seus direitos de ir e vir, de acesso ao transporte, à comunicação, à educação, ao trabalho e ao lazer. O Estatuto do Idoso estabelece como Direito Fundamental o acesso ao lazer como instrumento de promoção da qualidade de vida de cidadãos de 60 anos e mais. Um dos condutos de viabilização desta possibilidade está na acessibilidade aos atrativos culturais e à oferta de equipamentos e serviços de lazer e turismo existentes na cidade de residência da pessoa idosa. A qualidade da experiência que os visitantes podem ter ao acessar tais atrativos/equipamentos envolve diferentes fatores, dentre os quais a segurança, a limpeza, o atendimento prestado, a diversidade dos atrativos e a acessibilidade. Este trabalho considerou a questão da acessibilidade como relevante para a qualidade da experiência de idosos no usufruto do ambiente do Centro Histórico da cidade de São Luís. Com base na roteirização dos atrativos locais – museus, praças, igrejas, casas de cultura e outros – avaliou-se as suas condições de acessibilidade, visando gerar informações que permitisse ampliar oportunidades de experiências lúdicas de maior qualidade direcionadas ao público idoso na condição de visitante real e/ou potencial no sítio histórico investigado.
METODOLOGIA:
Pesquisa de caráter exploratório-descritivo, realizada no Centro Histórico de São Luís em áreas da Praia Grande, Desterro e Ribeirão. Constou das etapas de: (1) construção de referencial teórico, com base em revisões bibliográficas sobre turismo, lazer, velhice e acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida; (2) levantamento de informações para caracterização geral ambiente (mapa, histórico, características socioeconômicas, de infra-estrutura básica e aspectos relacionados aos atrativos turísticos/bens materiais edificados); (3) visitas, observações e coleta de dados in loco para levantamento histórico-cultural e de acessibilidade de um conjunto de monumentos roteirizados (praças, museus, casas de cultura, palácios, igrejas, fontes, teatros e feiras). Foram utilizados formulários de mapeamento e de inclusão das informações relacionados à acessibilidade em função de itens como estacionamento, ponto de ônibus, ambiente interno (condições físicas, sinalização, escadas, piso, rampas, elevadores/plataformas, desníveis, banheiros, dentre outros). A partir do resultado obtido procedeu-se à organização e análise das informações, confrontadas com leituras e apreciação de material técnico sobre acessibilidade.
RESULTADOS:
A investigação considerou a visitação em 27 pontos considerados atrativos histórico-culturais edificados. Observou-se que a maioria desses ambientes não possui mecanismos de facilitação ao acesso de pessoas com mobilidade reduzida, no âmbito dos quais os edifícios/monumentos (igrejas, casas de cultura, museus, feira, palácio) apresentam escadas com extensos lances de degraus; limitada oferta de elevadores e/ou rampas de acessibilidade; pisos inadequados, com textura lisa e facilitação para quedas; sinalização inexistente ou que não facilita a visualização e consequente orientação. Observou-se ainda que as maiorias das praças visitadas oferecem rampas ou desníveis que tendem a facilitar na movimentação e acesso, embora sua estrutura física apresente buracos e sujeira aparentes. Inexiste também material informativo/publicações acessíveis e recursos sensoriais. Desta maneira, foi possível elaborar roteirização com enquadramentos mínimos de acessibilidade com base em análise de facilidades e barreiras do espaço visitado e seus atrativos.
CONCLUSÃO:
Considerando o que foi diagnosticado durante a pesquisa pode-se concluir que as práticas de lazer e turismo no ambiente do Centro Histórico da cidade de São Luís não oferecem as condições necessárias para que pessoas dificuldades de locomoção e/ou com mobilidade reduzida possam ter com facilidade. A questão do tombamento de alguns monumentos pode ser um fator de limitativo para a adoção de medidas que revertam a situação; por outro lado, estratégias básicas ligadas a estrutura arquitetônica (faixas antiderrapantes; faixas de orientação; sinalização, etc.) poderiam contribuir para minimizar a situação, favorecendo a inclusão e a hospitalidade.
Palavras-chave: Turismo, Acessibilidade, Idosos.