64ª Reunião Anual da SBPC
G. Ciências Humanas - 7. Educação - 12. Ensino de Ciências
A educação em museus e centros de ciências no Brasil: um estudo a partir de dissertações e teses
Daniel Fernando Bovolenta Ovigli 1
João José Caluzi 1
1. Mestre em Educação - UFSCar/Técnico em Assuntos Educacionais - IFSP
2. Prof. Dr./Orientador - Depto de Física - Unesp/Bauru
INTRODUÇÃO:
O final da década de 60 marca a criação dos primeiros programas de pós-graduação em Educação no país. Desde esse período tem ocorrido um número significativo de pesquisas no campo da educação científica no país. Especialmente entre 2001 e 2010, durante a vigência da área 46 da CAPES, programas específicos da área de educação em ciências foram instituídos e, nos programas da área de educação, consolidam-se linhas de pesquisa sobre a temática das ciências da natureza. Estima-se que, até 2007, foram finalizadas aproximadamente 1600 dissertações e teses no âmbito da educação em ciências no Brasil, pontuando que ainda existe uma inadequada divulgação e socialização dessa produção acadêmica. Hoje o acesso aos dados bibliográficos e resumos dos trabalhos está facilitado pelo banco de teses da CAPES, porém o acesso ao texto integral das pesquisas é ainda difícil. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo levantar e analisar a produção nacional da área de educação científica em um recorte específico, trabalhando com processos educacionais ocorrentes em âmbito extra-escolar, particularmente em museus e centros de ciências, de modo a descrever suas principais características e tendências. Como desdobramento se consideram as possíveis implicações/contribuições desses estudos para o campo educacional mais amplo.
METODOLOGIA:
Trata-se de uma investigação do tipo estado da arte, o qual objetiva mapear os caminhos que vêm sendo tomados e aspectos abordados em detrimento de outros. O desenvolvimento destes balanços possibilita contribuir com a organização e análise na definição de um campo, especialmente aqueles denominados emergentes, a exemplo da educação em museus e centros de ciências. A análise do campo investigativo é fundamental neste tempo de intensas mudanças associadas aos avanços crescentes da ciência e da tecnologia. O estudo também se caracteriza como documental, do tipo histórico-bibliográfico e o material de estudo é constituído por dissertações de mestrado e teses de doutorado produzidas no Brasil entre os anos 1970 e 2010 e que tenham como foco de estudo o tema da educação em museus e centros de ciências. A interpretação qualitativa dos documentos se dá mediante a utilização da análise de conteúdo a qual possibilita inferir de maneira lógica conhecimentos que extrapolem o conteúdo manifesto nas mensagens.
RESULTADOS:
Foram mapeados 135 trabalhos sendo 124 dissertações e 21 teses. Destaca-se a produção alcançada pela área a partir dos anos 2000, quando 84,4% dos estudos foram realizados. Um aspecto que chama a atenção é a distribuição marcadamente desigual desses espaços de ciência no país: a região Sudeste concentra 112 das organizações listadas na última edição do guia de centros e museus de ciências do Brasil e o Sul, 41. Já nas demais regiões o número é bastante reduzido: Nordeste, 26; Centro-Oeste, 5; Norte, 6. Esses dados apontam que o número de pesquisas desenvolvidas em cada região também se dá em função do número de museus existentes nessa região visto que, quanto ao número de investigações por região administrativa o Sudeste está listado em primeiro lugar, com 80% dos trabalhos e o menor número de trabalhos está na região Norte, apenas um (0,8%). Os focos temáticos principais dos trabalhos distribuem-se em "exposições" (46,4%), "aprendizagem do visitante" (34%), "inclusão de públicos especiais" (2,2%), "TICs" (3,8%) e "formação docente" (13,6%). Assim, os estudos empreendidos ainda não se debruçaram significativamente sobre a inclusão de públicos com necessidades educacionais especiais, bem sobre a introdução das TICs nos aparatos que compõem o espaço expositivo e a transposição das exposições para o mundo virtual. São vertentes da pesquisa em educação em museus e centros de ciências ainda pouco exploradas e que se colocam como possibilidades para novas investigações.
CONCLUSÃO:
Ao analisar as produções relativas à área de educação em museus e centros de ciências pode-se afirmar que esse campo é pouco explorado, se comparado com subáreas do ensino de Ciências como "formação de conceitos" e "formação docente". Esse fato pode se dar em decorrência do recente desenvolvimento da área de pesquisa em ensino de Ciências no Brasil, inaugurando novas linhas de investigação. Ainda fica em aberto a exploração de estudos do tipo “estado da arte” sob variados ângulos de análise, como o estado da arte sobre as referências bibliográficas mais utilizadas nas pesquisas em educação em museus e centros de ciências, bem como o impacto das ações extra-escolares na educação científica praticada em âmbito escolar, entre outros, a fim de mapear e caracterizar a pesquisa em educação científica em museus de ciências no Brasil.
Palavras-chave: museus de ciências, educação não formal, estado da arte.