64ª Reunião Anual da SBPC |
A. Ciências Exatas e da Terra - 4. Química - 4. Química de Produtos Naturais |
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE E TÓXICA SOBRE Artemia salinaDE Carapa guianensis AUBL. |
Fabiele Souza da Cruz 1 Francislani Nascimento dos Santos 2 Karen Cristina Souza Lima 3 Cecilia Veronica Nunez 4 |
1. Bolsista de Desenvolvimento Científico Tecnológico Amazônico/Projeto REDEBIO/FAPEAM - Coordenação de Tecnologia e Inovação – INPA. 2. Colaborador – Coordenação de Tecnologia e Inovação – INPA. 3. Colaborador – Coordenação de Tecnologia e Inovação – INPA. 4. Profa. Dra. Orientadora – Coordenação de Tecnologia e Inovação – INPA. |
INTRODUÇÃO: |
A Família Meliaceae apresenta árvores dióicas ou monóicas, folhas compostas, alternadas e pinadas, com 8 gêneros e aproximadamente 550 espécies. A Carapa guianensis apresenta árvores de grande porte de cor avermelhada e pesada e comparada com o mogno e muito utilizada na fabricação de móveis, apresenta placas lenhosas proeminentes e irregulares, que chega a atingir 30 metros de altura e a planta começa a produzir frutos a partir de 10 anos do seu plantio. É encontrada em toda a região do Amazonas e principalmente em locais de várzea, igapós e também na América Central, Sul, Caribe e África. O seu óleo e as gorduras são extraídos e utilizados como: repelente de insetos, antissépticos, cicatrizante e anti-inflamatório, muito utilizada na Região do Norte, devido à variedade de aplicações. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar as atividades antioxidante (DPPH e Fe/fenantrolina) e citotóxica sobre Artemia salina dos extratos hexânicos e metanólicos das folhas e galhos de Carapa guianensis. |
METODOLOGIA: |
O material vegetal foi coletado em Altamira, Pará, as partes vegetais coletadas foram secas em temperatura ambiente, moídas e extraídas com os solventes hexano e metanol, três extrações utilizando banho de ultrassom por 20 minutos. Para evaporação dos solventes utilizou-se rota-evaporador. A avaliação antioxidante consiste em testar o potencial antioxidante dos extratos através dos métodos de redução da capacidade de seqüestro (CS) de radicais com 2,2-difenil-1-(2,4,6-trinitrofenil)hidrazila (DPPH), resultados são obtidos em equivalência com o ácido ascórbico,quanto próximo de 1,0 maior é a capacidade antioxidante da amostra ao ácido ascórbico. Para avaliar toxicidade frente à A. salina e realiza-se o preparo de uma solução marinha de concentração 38 g/L, e adiciona-se 10 mg de cistos de A. salina aguarda se 48 h para obtenção das larvas,após este período são colocadas 10 larvas em cada poço de uma placa e adicionada a solução dos extratos em triplicata e o solvente utilizado como controle, após um período de 24h é feita a contagem das larvas sobreviventes. Os extratos são testados inicialmente na concentração de 1,0 mg/mL e caso o extrato seja tóxico para pelo menos 50% das larvas, testa-se em outras concentrações, a fim de encontrar a DL50. |
RESULTADOS: |
Os extratos das folhas e galhos de Carapa guianensis avaliados no ensaio antioxidante usando o método de Fe+/Fenantrolina, os extratos hexânicos das folhas e dos galhos apresentaram menor capacidade antioxidante com equivalência de 107,2 e 681,8, respectivamente, enquanto os metanólicos das folhas e galhos apresentaram maior equivalência (5,5 e 6,7, respectivamente). Quando analisados com DPPH, os extratos metanólicos das folhas e galhos confirmaram a alta capacidade antioxidante, apresentando a equivalência de 2,3 e 2,9, respectivamente, enquanto os extratos hexânicos das folhas e galhos apresentaram menor atividade antioxidante, com equivalência de 7,0 e 6,4, respectivamente. No ensaio citotóxico frente à Artemia salina os extratos hexânicos das folhas e galhos apresentaram alta toxicidade na diluição de 100 µL, sendo de 80% e 90%, respectivamente. No entanto, nas diluições de 25 µL e 6µL não apresentaram toxidade. Já os extratos metanólicos das folhas e galhos não apresentaram toxicidade em nenhuma das diluições testadas (100, 25 e 6 µL). Outras diluições são necessárias a fim de encontrar a DL50. |
CONCLUSÃO: |
Neste estudo foram avaliados os extratos hexânicos e metanólico das folhas e galhos de Carapa guianensis pertencente à família Meliaceae, quanto à sua capacidade antioxidante e toxicidade sobre Artemia salina visando correlacionar com sua composição química de acordo com os dados da literatura. Dos extratos testados observa-se que os mais tóxicos sobre A. salina foram os hexânicos das folhas e galhos enquanto os metanólicos apresentaram baixa toxicidade. Todos os extratos foram testados novamente em concentrações menores apresentaram toxicidade menor que 50 %. Em relação à atividade antioxidante apenas os extratos metanólicos foram ativos nos dois ensaios realizados. Já os hexânicos apresentaram uma mediana atividade no ensaio com Fe/Fenantrolina. Em levantamento bibliográfico, a fim de identificar os possíveis metabólitos responsáveis por este potencial, observou-se que a família Meliaceae, apresenta uma variedade de classes químicas presentes como ácidos graxos (palmítico, mirístico, linoléico), triterpenos (meliacinas), taninos e alcalóides. Estudos fitoquímicos estão sendo realizados para o isolamento das substâncias ativas. |
Palavras-chave: Carapa guianensis, Artemia Salina, DPPH,Fe/fenantrolina. |